Resenha: Bela Gratidão - Corey Ann Haydu

quinta-feira, dezembro 28, 2017


Montana tem 17 anos e mora com pai, já que ela e sua irmã, Arizona, foram abandonadas pela mãe quando crianças. Seu pai é cirurgião plástico e já teve tantas namoradas e esposas que Montana perde até a conta. As duas irmãs sempre foram muito apegadas, e eram elas contra as madrastas. Mas agora Arizona foi para a faculdade e o vínculo entre as duas ficou mais fraco, e Montana se sente abandonada pela irmã, pela melhor amiga, que também se mudou por causa da faculdade, e pelo pai. 

" Eu passo tanto tempo pensando no que há de errado comigo, me perguntando por que eu não sou uma irmã boa o suficiente ou amiga ou filha, ou pessoa, que a ideia de ser boa é um pouco insuportável."

A história se passa no verão, que é onde Montana conhece Karissa, uma colega das aulas de teatro, e Bernardo, um garoto que está sempre no parque onde a garota costuma frequentar. Por causa dos dois, Montana acaba descobrindo e vivendo coisas novas. 

Quando Montana acha que sua vida pode ficar um pouco melhor por causa da presença dos dois novos amigos, ela sofre mais um impacto: a notícia de que ela terá uma nova madrasta.


Montana é uma personagem muito insegura. Ela precisa buscar aceitação de todos para fazer as coisas, principalmente da irmã, que ela diz que sempre pensaram iguais, mas lendo a narração de Montana, a gente consegue perceber que muitas das coisas que ela faz, é porque sua irmã acha legal ou faz também. Ela está sempre procurando se encaixar na pessoa que os outros querem que ela seja. 

Ela é tão carente e dependente da irmã, que não aceita o fato dela ter ido para a faculdade e a "abandonado". Então ela precisa encontrar outra pessoa que, de certa forma, influencie ela, e é aí que Montana encontra Karissa, uma garota totalmente louca e sem limites, que, na maior parte do tempo, está bebendo em bares sujos.


Nesse livro não temos a história daquela garota que é forte, decidida, e acaba amadurecendo de acordo com o passar das páginas. O que de certa forma, é mais realista que outros livros. Muitas vezes, somos influenciados pelos outros, mesmo sem perceber, e acabamos fazendo escolhas que agradem os outros, e não a nós.

Apesar de tudo, eu gostei da Montana, e um dos motivos dela ser tão frágil assim é por não ter a presença da mãe na sua vida. Nem as madrastas conseguiram suprir essa falta, pois nenhum relacionamento do pai durou tempo suficiente para as garotas se apegarem às novas mulheres de seu pai. 

"Eu sou um território. Eu sou uma coisa na qual as pessoas colocam bandeiras. Querem declarar que pertenço a elas. Isso é uma coisa totalmente nova. Eu estou acostumada a ser uma coisa abandonada. Uma meia esquecida ou um brinquedo que já não se quer mais, uma lembrança vaga e simbólica de uma época da sua vida".


Bela Gratidão é sobre mudanças. Aceitar as mudanças para podermos crescer. E também, como o papel da família e tão importante na vida de uma pessoa. Achei que a autora deixou muitas pontas soltas, como o final, que deixa várias questões sem reposta.

Esperei também o amadurecimento de Montana, e que ela conseguisse agir sem depender dos outros, mas a autora também não desenvolveu muito bem esse quesito.

Apesar de tudo, eu gostei bastante da história.  O romance entre Bernardo e Montana é bem gostoso de acompanhar, eles são aquele casalance impulsivo, que se amam e nada mais importa.

É um livro que vai fazer a gente refletir, principalmente sobre a obsessão que temos em mudar nosso corpo, procurando sempre a perfeição, coisa que não existe.

Livro: Bela Gratidão 
Autora: Corey Ann Haydu
Editora: Galera Record 
Páginas: 432
★★★★

*Exemplar cedido pela editora para resenha. 

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